
Especial Santa Efigênia: o caminho da legalidade
Iniciamos uma série de reportagens sobre o pólo de informática no qual vamos abordar os problemas, as oportunidades, o investimento de distribuidores e fabricantes e ainda questões ligadas à venda de máquinas e componentes de origem duvidosa ou problemática. Nos acompanhe agora e no decorrer da nossa jornada e tire suas conclusões sobre a nova-antiga Santa Efigênia

O iPad já chegou por lá, assim como o Office 2010. Na Santa Efigênia, rua e seu entorno, é possível encontrar de tudo em termos de TI e ainda DVDs de filmes e jogos, consoles, câmeras, TVs e tudo o mais que o extenso mundo da combinação eletrônica-informática inventou. Um autêntico pólo de consumo de tecnologia com suas galerias e lojas e os inúmeros camelôs que sempre foi sinônimo de pirataria, “importabando” ou mercado informal, mas que “transpira” que algo está mudando e em ritmo rápido.
Distribuidores como a Agis e a All Nations e mesmo fabricantes como Intel e Coletek ou ainda a gigante do software Microsoft, ainda fortemente impactada pela venda pirata de seus sistemas, acreditam que a região caminha para a legalidade e a profissionalização. Todos, sem exceção, reconhecem em maior ou menor grau essa nova realidade latente e investem para que a região seja reconhecida apenas e tão somente como um pólo de consumo de tecnologia no futuro.
Segundo mapeamento realizado pela distribuidora All Nations a região abriga algo como 1,2 mil empresas e a visão geral é a do caminho da legalidade, mas a mudança é gradual. “A Santa Efigênia ainda tem um marca muito forte de ser um local de produtos piratas, porém tem tudo para mudar o jogo. Vejo a região no caminho da legalização, muitas empresas e lojistas já trabalham dentro da legalidade e o cliente está se educando também. É preciso enfatizar a vantagem do produto legal e temos muitas empresas exercendo essa função por lá. Da parte da Microsoft, queremos que o montador, o integrador de máquinas, tenha o software legalizado e estamos investindo nisto”, garante Luis Banhara, diretor de negócios e parceiros para pequenas e médias empresas da Microsoft.
Para o consultor Pedro Luiz Roccato, a Santa Ifigênia é um maravilhoso shopping de informática a céu aberto, entretanto ele chama a atenção para o ainda forte componente de ilegalidade em uma situação criada com a conivência do próprio cliente. “Se você não souber trafegar por lá, correrá considerável risco de “comprar gato por lebre”. E se o produto está muito abaixo do preço sugerido pelo fabricante, tenha certeza que o risco é grande de uma procedência duvidosa, de sonegação ou composição do produto. Não podemos nos esquecer que esta situação é fruto da famosa mania do brasileiro de “levar vantagem”, uma vez que ele tem conhecimento que ninguém consegue fazer mágica com os preços. É difícil dizer que o consumidor não tenha noção da situação duvidosa de fornecimento dos produtos com preços muito abaixo dos praticados em outros pontos de vendas”, argumenta.
Um pouco de história
Uma situação que, de acordo com a história da região, começou na virada da década de 50 para 60 com a troca das antigas lojas de tecido da região pela florescente venda de produtos eletrodomésticos e que com o passar das décadas foi embarcando e agregando mais e mais o componente da ilegalidade. Chegando ao ápice na década de 80, com o boom da conexão Paraguai (Punta Del Este) com as grandes cidades brasileiras.
O jogo mudaria apenas no início desta primeira década do século 21 e mais fortemente nos últimos dois ou três anos com uma maior profissionalização. Algo que se acelerou nos últimos meses, com a chegada de distribuidores e fabricantes que mostram as vantagens de se operar na legalidade e investem na formação dos profissionais locais – em sua grande maioria autodidatas –, mostrando como agregar valor aos seus produtos com serviços para os consumidores.
Outro fenômeno que ganha espaço é a ampliação do perfil de quem consome. Antes caracterizado apenas pelo cliente doméstico, a “figura” do consumidor agora já é também a dos administradores de pequenas e até mesmo médias empresas, que recorrem aos montadores da região para adquirir máquinas de maior complexidade e desempenho.
O desktop turbinado que antes atuava como servidor deu lugar ao servidor de fato. Uma mudança que também exigiu uma maior atenção às regras legais do mercado, além de abrir oportunidades para que as empresas da região oferecessem serviços agregados de rede, instalação e suporte. Algo que a Intel já identificou e investe em sua evolução, como veremos em outra reportagem da série.
Mas não é só isso que muda o perfil da Santa Efigênia. O crescimento da economia brasileira, o rescaldo sem seqüelas da crise econômica norte-americana, a maior presença de fábricas de equipamentos de TI no país e até mesmo o reflexo de uma maior fiscalização na fronteira com o Paraguai também servem como outras justificativas para o momento.
Veja nos próximos dias a seqüência de nossa reportagem especial abordando as oportunidades, desafios e os problemas do mercado de TI na região. Fique atento!

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