
Pedro Luiz Roccato

As fusões & aquisições vêm se tornando uma constante nos mais variados mercados. Quando falamos do mercado de tecnologia (TI) temos inúmeros casos para ilustrar, como: Cisco que adquiriu mais de 70 empresas desde 2003, sendo seis somente em 2005, McAfee que adquiriu a Wireless Security, a Sun que adquiriu a Tarantella e a Procom Technology, a Adobe Systems que adquiriu a Macromedia, além de outros grandes negócios realizados nos últimos anos. O mercado de varejo também vem apresentando diversos movimentos, como: EBay que adquiriu a empresa Shopping.com, Sears com K-Mart, Wal-mart adquirindo a rede Bompreço no Brasil, o Grupo Casino aumentando sua participação no Grupo Pão de Açúcar, a rede Toys “R” Us adquirida por um grupo de investidores, a rede Staples iniciando seus investimentos no mercado da América Latina com a aquisição da OfficeNet, e não poderíamos deixar de citar o caso da P&G e Gillete, recentemente aprovado pelos acionistas da Procter & Gamble. Quais motivos levam ao movimento elevado de fusões e aquisições como o que estamos acompanhando nos últimos anos? Sob a ótica das empresas compradoras, o primeiro motivo inquestionável seria a alta liquidez de muitas empresas que vêem buscando incessantemente ampliar sua capacidade de atendimento, amplitude de mix, capilaridade, novos nichos, enfim, ampliar mercados. Por outro lado, as empresas que são adquiridas por inúmeros motivos, como problemas financeiros, outros com limitação para manter o ritmo de expansão exigido pelo mercado no segmento que atuam, ou ainda passam por problemas de conflitos de controle societário com controle familiar.
No mercado de TI não poderíamos deixar de comentar a estratégica aquisição pela Adobe Systems da Macromedia, ou mesmo a aquisição pela Cisco da empresa Linksys. A Adobe Systems detentoras de títulos como Acrobat e Photoshop, visto ser uma das maiores fornecedoras mundiais de software, enquanto a Macromedia detém títulos de softwares consagrados como Flash e Dreamweaver. Esta operação realizada em abril deste ano e avaliada em US$ 3,4 bilhões, uma vez aprovada pelos órgãos reguladores federais nos EUA, permitirá a oferta de inúmeras soluções para criar, administrar e fornecer conteúdos em múltiplos sistemas operacionais. A Cisco, líder mundial no segmento de networking adquiriu a empresa Linksys por US$ 500 milhões, buscando penetração em um dos segmentos de mercado que mais crescem, o mercado de pequenas e médias empresas, também conhecido como SMB (Small and Medium Business).
No mercado de varejo a maior movimentação ocorreu no início deste ano (28/01/05), quando a P&G (Procter & Gamble) anunciou a assinatura de um acordo com os controladores da Gillete para comprar a companhia por US$ 57 bilhões. No dia 12 de julho foi anunciada a aprovação da compra pelos acionistas da P&G. Para termos uma pequena noção da amplitude deste negócio, o valor da operação representa quase 10% do PIB do Brasil em 2004. A fusão possibilitará a P&G ampliar o seu portfolio para campeã em vendas da Gillete como aparelhos de barbear, desodorantes e demais cosméticos e produtos de higiene masculinos, além das pilhas Duracell, que irão totalizar um portfolio único das duas empresas de 21 marcas. Esta fusão revolucionará o segmento de bens de consumo e dará maior poder de negociação para os fabricantes perante as redes de varejo como Wal-mart, acostumado a ditar as regras do setor perante os fabricantes e demais fornecedores.
Segundo dados da OCDE (Organização pra a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em 2004 o investimento americano no exterior foi de US$ 252 bilhões, recorde histórico, sendo sinalizado o crescimento para 2005. Portanto, podemos concluir que os movimentos de fusões e aquisições estarão presentes por muitos anos e que poderão ser responsáveis, muitas vezes, por mudanças revolucionárias em determinados segmentos. Apesar das notícias em destaque sinalizarem um período pessimista com a “caça às bruxas”, ou melhor “caça aos corruptos”, os investidores não estão sinalizando uma tendência de desaceleração de investimentos no Brasil, pois a tomada de decisão leva em conta sempre as tendências futuras, com visão a longo prazo e não imediatistas. Empresas e investidores: Vamos às compras!

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