
Pedro Luiz Roccato

Recentemente vivenciei uma experiência péssima em visita à seção de informática de uma rede varejista, mais precisamente na área de venda de notebooks, o que me levou a questionar o modelo atual de atendimento oferecido pelos varejistas. Visando não cometer o pecado da generalização, visitei outras 6 lojas localizadas em locais diferenciados, mas ofereciam os mesmos produtos e, com exceção de apenas uma loja, a situação constatada na primeira loja foi a mesma. Diante de tal decepção, resolvi transcrever algumas regras fundamentas de como não vender notebooks no Brasil:
• Deixe os equipamentos desligados ou em locais que o cliente não tenha acesso.
• Em caso de ser realmente necessário que o equipamento fique ligado, coloque uma senha de difícil identificação para que o cliente não consiga decifrá-la de forma alguma para ter acesso ao equipamento, atividade extremamente perigosa e não indicada. Lembre-se que o equipamento que está ali exposto não deve ser tocado pelo cliente nem experimentado e que, caso aconteça algum problema com aquele equipamento e seja necessário reinstalar o software, você que o fará.
• Caso seja possível colocar o notebook em uma redoma de vidro, acrílico ou algum tipo de display confinado, onde o cliente não consiga tocar o equipamento, esta se configura a situação ideal.
• Vendedores: Posicionem-se atrás dos balcões de atendimentos, em grupos e aproveitem para trocarem experiências, principalmente quando a loja estiver com muitos clientes e quando o cliente lê direcionar o olhar, disfarce, olhando para outro lado e continue a boa conversa com seus companheiros de trabalho.
• Vendedores: Quando os clientes se aproximarem das bancadas e de um notebook específico, não se aproxime dele falando algo específico da máquina que ele está interessado, mas sim pergunte se pode ajudá-lo.
• Os clientes que estão circulando sempre têm dúvidas e, na maioria das vezes nunca compram. Portanto, não dê muita atenção, pois eles chegam, olham, passam e vão embora mesmo.
Após ler as regras acima você deve estar pensando, que é um absurdo o que está escrito, mas ao mesmo tempo, você já deve ter sido atendido, em algum momento, por um vendedor seguindo as regras acima descritas, não necessariamente para a venda de um notebook. Caso venhamos a ouvir a outra parte, teríamos uma série de justificativas, as quais eu posso citá-las, como: Alta rotatividade, problemas com segurança (furtos), falta de treinamentos fornecidos pela indústria, margens baixas, etc. Porém, nada justifica problemas graves de postura como estamos constatando nos PDVs (pontos de venda). Equipes de vendas totalmente despreparadas, desatenciosas, chegando a ser mau-educadas. Não se vê mais um sorriso quando você entre na loja. Neste caso estamos falando de produtos de R$ 3.499 a R$ 12.999! Esta situação precisa mudar. Este mercado tem grande potencial, onde se projeta crescimentos de 30, 40% ao ano com este atendimento péssimo nos PDVs. Quais números podemos atingir com elevação na qualidade de atendimento de nossas lojas? Como podemos seguir as tendências mundiais de varejos que apontam para a personalização no atendimento, individualização, enriquecimento da experiência do cliente da loja, sendo que nossos vendedores nem mesmo olham para nossos clientes, colocam senhas em notebooks para que os clientes não tenham uma experiência com o equipamento que desejam comprar? Esta situação precisa mudar. Esta experiência precisa mudar.

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