
Pedro Luiz Roccato

O varejo opera frequentemente como termômetro da economia, que está diretamente relacionada com a situação política. Os juros altos, a falta de credibilidade de nosso governo e a corrupção generalizada não nos aponta um cenário positivo. Por outro lado, teremos um ano de eleições estaduais e presidenciais, que mudam radicalmente este cenário. Alguns fatores são cruciais para que o varejo responda positivamente bem em 2006: Nível de desemprego baixo, poder de compra alto, facilidade de crédito CDC (Crédito Direto ao Consumidor), taxas de juros baixa, variação cambial em níveis estáveis, medidas de salva-guardas para entradas de produtos estrangeiros com preços muito abaixo dos produzidos no Brasil, carga tributária reduzida, medidas urgentes contra a pirataria de CDs, DVDs e softwares piratas, contrabando, sonegação, etc. As reivindicações são muitas, proporcionais aos problemas que enfrentamos no dia a dia do varejo. Diante de tal diversidade, muitas vezes o que nos mantém nesta cruzada é a fé de que em algum momento teremos condições favoráveis para desenvolver uma operação saudável no varejo.
Mas nem todas as notícias são ruins, tivemos avanços expressivos em 2005 que apontam perspectivas positivas para 2006. Vejam a MP 255/05 recentemente aprovada, herdeira da chamada “MP do Bem”, que proporciona, entre inúmeros benefícios, a redução de carga tributária para os chamados “PCs Populares”. Através dela terão isenção de PIS e Cofins os computadores comercializados por até R$ 2.500, inclusive os “PCs Populares”, idealizado pelo Projeto “Cidadão Conectado” que prevêem a fabricação de computadores populares com preço máximo de R$ 1.400, sendo desonerado em 9,25% em impostos com a MP 255/05. O varejo terá grandes oportunidades de vendas neste segmento, pois além da venda dos micros surgirão oportunidades de venda dos softwares, acessórios, impressoras e demais serviços, movimentando um mercado que tem um considerável potencial de crescimento, mas que necessitava incentivo.
Outro segmento que vem apresentando índices de crescimentos interessantes e deverá manter o ritmo nos próximos anos é o varejo on-line (e-commerce). A previsão para este Natal é que chegue a R$ 420 milhões, ficando 47% superior ao mesmo período no ano passado segundo previsões da e-bit. Acredito que o número de lojas que venham a ofertar seus produtos pela Internet venha a aumentar, como também tenham uma maior profundidade de mix, além de uma melhora na oferta dos serviços e na confiabilidade do atendimento, um dos pontos mais criticados pelos consumidores on-line em pesquisas.
Quando nos referimos aos perfis de consumidores, o achatamento da classe média será cada vez mais acentuado, com valorização crescente dos consumidores de baixa renda, onde teremos não só o crescimento do número de lojas destinadas a este público, quanto também elevação no número de produtos lançados pelos fabricantes com alto apelo pelo baixo custo. Por outro lado, estaremos acompanhando a inauguração de áreas de shoppings dedicas exclusivamente a lojas de público de alto poder aquisitivo, bem como expansão em linhas de produtos e novas griffes chegando ao Brasil.
Os shopping centers continuarão com seus planos de expansão a todo vapor para os próximos 3 a 4 anos, segundo a ABRASCE – Associação Brasileira de Shopping Center. Segundo eles, há mais de 30 novos empreendimentos em pleno desenvolvimento no Brasil para lançamentos de novos shopping centers, sendo que este segmento apresentou em 2004 os melhores resultados desde os anos de 2000. Entre os shoppings de São Paulo que decidiram aumentar sua área de lojas estão o Morumbi Shopping que em 2006 inaugurará 80 novas lojas, o Shopping Penha, o Shopping Butantã, Shopping Higienópolis e o Shopping West Plaza, expandindo sua área locável em mais de 8 mil metros quadrados.
2006 será um ano de grandes oportunidades, como ano eleitoral, ano com benefícios fiscais pela MP 255/05, e-commerce em alta, shoppings em expansão, com atenção para os extremos, de um lado os consumidores de baixa renda, cada vez mais valorizados e, de outro, os de alta renda. Viva a diversidade!

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