
Pedro Luiz Roccato

Ultimamente temos sido incentivados constantemente a inovar, pois nos últimos anos a única constante em nossa vida profissional tem sido a mudança. Mudanças que exigem quebras de paradigmas anteriormente defendidos e vistos como imutáveis. Porém temos um grande distanciamento entre incentivar a inovação junto a nossos colaboradores e efetivamente obtermos resultados. Na NRF Annual Convention de 2006, o maior evento de varejo do mundo, Larry Keeley da Doblin, um dos papas da inovação, apresentou um estudo que aponta que menos de 2% dos projetos geram 90% do volume de criações acumuladas. Realmente para acertarmos devemos estar preparados para errar muito. Se a empresa que você trabalha possui processos que incentivem a inovação, mas diante da situação do primeiro colaborador que toma a iniciativa e apresentar a sua idéia e é combatido pelos líderes, a mensagem que a empresa está passando a seus colaborares é exatamente contrária à inovação. Para que possamos desenvolver um ambiente criativo, há a necessidade de incentivarmos as iniciativas inovadoras e não sufocá-las com críticas e repreensões.
O primeiro passo para fomentar a apresentação de idéias e novas propostas, pode ser a realização de uma reunião para realização de um brainstorming. O brainstorming possibilita que os participantes apresentem as idéias que vierem à cabeça com relação a um problema apresentado. Para que essa técnica tenha efetividade, não podemos estabelecer filtros ou censura prévia. A riqueza da técnica está exatamente em estimular a participação espontânea dos participantes quanto aos primeiros insigths (idéias) com relação ao problema proposto. Após o brainstorming, o coordenador do exercício pode solicitar uma priorização dos apontamentos, bem como uma fusão de determinados termos apresentados, que geralmente estão relacionados a uma mesma idéia. Recentemente realizamos este modelo de trabalho com um grupo de 100 revendedores de tecnologia em um evento, onde fora solicitado que descrevessem os principais problemas enfrentados em sua relação com os elos da cadeia de vendas e distribuição (fabricantes, distribuidores e clientes finais). A lista de “dores” de cada grupo foi complexa, sendo que alguns apresentaram mais de vinte dores. Como o objetivo do trabalho era a identificação de soluções inovadoras para os problemas apresentados, tendo como meio a colaboração entre os elos da cadeia, cada um dos grupos, em uma segunda sessão do exercício, foi convidada a escolher apenas um das “dores” para o próximo passo do exercício. Neste momento enfrentamos a primeira dificuldade que foi a de buscar um consenso sobre qual seria o maior problema para os revendedores. Após a identificação do problema escolhido por cada grupo, foram orientados a discutir soluções propostas para o problema, tendo como base um modelo de template (slide show do Power Point) com algumas questões que deveria responder. Após as discussões os grupos consolidaram suas apresentações e disponibilizaram para análise. Como resultado percebemos que foram apresentadas idéias brilhantes, mas enfrentaram considerável dificuldade para elaborar um plano de solução. Muitos grupos gastaram considerável tempo na descrição do problema, mas não conseguiram sustentar a solução proposta através de um plano factível, ou seja, não conseguiram provar a viabilidade de implementação da idéia.
O aprendizado do exercício anteriormente descrito que gostaria de compartilhar com vocês está centrado na importância de incentivarmos o processo criativo junto a nossa equipe e pares, mas tendo sempre como referência que idéias sem o desdobramento de sua aplicabilidade e viabilidade econômica não nos levarão a lugar algum, apenas a dispersões em nosso dia a dia. Para que o processo de inovação nas empresas tenha sustentabilidade, devemos fomentar o desenvolvimento de um ambiente criativo, mas que ao mesmo tempo nossos pares e colaboradores sejam orientados a exercitar as idéias sob a ótica de viabilidade de sua colocação em prática. Uma forma simples de facilitar a apresentação de idéias sustentáveis seria através da disponibilidade de um questionário com algumas perguntas que viabilizem a descrição da idéia proposta, bem como sua viabilidade e não apenas um breve descritivo da idéia. As ações de incentivo à inovação são fundamentais, mas não podemos nos esquecer de que a busca por idéias deve contemplar o exercício de viabilidade da idéia proposta. Portanto, devemos incentivar ações que fomentem a apresentação e idéias, mas não podemos nos esquecer que devem ser financeiramente viáveis. Afinal, nesse mundo altamente competitivo somente terão destaque os profissionais que se diferenciarem dos demais pela iniciativa, inovação e impecável capacidade de implementação de suas idéias e projetos.

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