
Pedro Luiz Roccato

Após o falecimento em 5 de outubro de Steve Jobs muito se tem especulado sobre o futuro da Apple. Esta semana chegou às livrarias a única biografia autorizada por ele, que tem como autor Walter Isaacson. Um gênio da atualidade, mas como todos os seres humanos, com desafios de vida comuns. Pela biografia, o autor conseguiu relatar a trajetória desde sua infância até os últimos dias afrente da Apple, no final de agosto deste ano, já com a doença bem avançada.
Alguns relatos são interessantes como o momento que Jobs descobriu que era adotado e que seus pais adotivos disseram que ele era especial, o que, segundo o autor, o levou a crer que as regras normais não valiam para ele.
Outra história interessante se refere à construção de uma cerca na parte detrás da casa que morava, que levou a perguntar ao seu pai porque a cerca na parte da frente era tão bonita quanto a detrás. Segundo Jobs, a parte detrás não seria vista por ninguém. O autor relata que o pai adotivo de Jobs respondeu: “mas nós saberemos que tivemos o cuidado de fazer a parte de trás tão bonita quanto o resto”. Será que poderíamos entender porque os produtos da Apple são tão impecáveis quanto ao design, tanto de frente quanto de trás?
A centralização e autoritarismo de Jobs sempre foram muito marcantes. Como exemplo, poderia citar a proibição de seus executivos de se relacionar com a imprensa, sendo ele o único porta-voz da empresa, algumas vezes com a sutileza da pata do elefante em suas respostas ácidas. Preza a lenda que o produto final que seria lançado não era conhecido de forma completa por ninguém além dele. Cada um recebia uma parte do projeto, sem saber bem a conexão com o todo. Verdade ou não, o jeito duro e centralizar de Jobs sempre foi público.
Com a presença e estilo tão marcantes na Apple, muito se tem especulado sobre o futuro da Apple. Hoje somente temos uma certeza, Jobs não estará mais afrente das inovações da Apple. Porém, se a empresa tiver o cuidado de manter sua cultura e permitir que o estilo e individualizada de cada profissional que viveu com Jobs e os novos que vierem, tenham também espaço para criar e inovar da sua forma acredito que o futuro da Apple poderá ser promissor. Porém, se o estilo e cultura que deixou for um limitante para as pessoas desenvolverem o seu espaço na empresa, o futuro será incerto. Cabe a cada um de nós apenas observar os próximos passos e torcer para que a marca que reuniu adeptos, ou melhor, fanáticos e seguidores, se perpetue com a magia deixado por Jobs, mas agora com a contribuição dos demais profissionais que lá trabalham e porventura venham a trabalhar!

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Comentários (1)
O modo como ele tocava o negócio fazia a diferença, não era só a qualidade no acabamento, ou a leveza e a sutileza no layout dos produtos e sim a forma como ele liderava seu time.
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