
Pedro Luiz Roccato

O Brasil tem recebido inúmeros rótulos. Atualmente vem sendo apontado como uma das economias mais promissoras do mundo. Porém há situações em que os rótulos não são tão favoráveis, como “custo Brasil” ou ainda “risco Brasil”. Nos últimos dias o “risco Brasil” vem à tona novamente, agora com novos acontecimentos relevantes para a cadeia de vendas & distribuição no Brasil.
O distribuidor global Tech Data que opera no Brasil desde 1997 e que já passou por situações difíceis anteriormente, como redução no portfólio de fabricantes ocorrida em 2002, dá sinais que passará por mais uma prova de fogo agora em 2011. Segundo matéria do Portal do Canal, a subsidiária brasileira está em processo de intervenção pela matriz e, provavelmente, resultará na redução mais drástica da história em sua operação local. O motivo ventilado é exatamente o chamado “risco Brasil” que pode gerar elevada exposição de risco de autuação fiscal com a complexa estrutura tributária brasileira.
A vinda da ST (Substituição Tributária) em 2009 já deixou os executivos de nossos distribuidores de cabelos em pé por vários meses, sendo que até hoje aqueles que operam com capilaridade nacional enfrentam problemas em sua adequação. O número elevado de tributos e demais contribuições, as formas variadas de cálculo e recolhimento, bem como o próprio custo sobre o valor de venda, impactam negativamente nos resultados das empresas que operam no Brasil.
Quando o assunto é internação de produtos, o problema se agrava ainda mais, visto que uma classificação incorreta ou não favorável poderá inviabilizar a comercialização de um determinado produto. Sob a ação de controles rígidos internacionais como a SOX (Lei Sarbanes-Oxley), a pressão está cada vez maior para que a operação esteja aderente às melhores práticas internacionais de mercado. Afinal, um tropeço local pode ocasionar estragos consideráveis no valor da ação fora do país.
No caso específico dos distribuidores internacionais em operação no Brasil, temos acompanhado considerável inconstância na operação. Se resgatarmos a história de canais nos últimos 20 anos podemos relacionar inúmeros casos de operações que deixaram de existir por problemas tributários, sendo o mais famoso deles, ocorrido em 2007, com a Mude e a Cisco. Caso que ganhou tamanha notoriedade que foi noticiada na revista Veja e ganhou capa em jornais como Folha de São Paulo até chegar ao horário nobre do Jornal Nacional.
Um pouco depois tivemos a Ingram Micro com questões relacionadas a tributação de software, Lan Professional, até chegarmos esta semana com a Tech Data, neste caso também relacionada a operação da Cisco. E ainda nem estamos falando de mudanças na estrutura de gestão das subsidiárias, nas quais já assistimos a verdadeiros desmontes de operações, que levam quarters e mais quarters para que o equilíbrio seja novamente alcançado, como é o caso recente das mudanças ocorridas na subsidiária da Ingram Micro aqui no Brasil.
O momento é de apreensão, visto que todos sabemos o impacto na percepção do Brasil perante os headquarters dos fabricantes e outros distribuidores que ficam fora do Brasil, bem como na exposição dos executivos que estão a frentes de operações como esta. Portanto, fica aqui o alerta para os sinais de novos movimentos locais, sem considerarmos os fatores externos como dívida norte-americana, crise na União Européia, inflação em alta e dólar em baixa...

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Comentários (3)
Caro Paulo,
Obrigado por sua participação. Realmente as idas e vindas do governo tem ocasionado dificuldades para todos os elos da cadeia de vendas & distribuição. O maior exemplo foi a ST, que até agora tem sido o motivo de insônia de muitos. Quanto o convênio citado, ainda não discutimos internamente, mas acredito que seria um tópico importante para discussão por todas as entidades e grupos representativos. Levarei a sugestão para o Conselho de Canais que presido. Abraços.
Pedro, e a respeito do convênio de ICMS/ST que afeta as vendas pela Internet? Já tenho notícias de canais sendo afetados por isso. Afinal de contas, o que o canal pode fazer a respeito disso, qual nossa representatividade perante Brasília? Estamos vendo passos volumosos dos governos para estrangular o canal de TI, não podemos ficar parados. A ABRADISTI não poderia tomar essa iniciativa?
Mais sobre isso:
http://www.tributosdodf.com.br/index.php/content/view/19309.html
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