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Colunistas - Pedro Luiz Roccato - Real valorizado limita competição em serviços

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Cenários & Tendências

01/12/2010 - 10:48

Real valorizado limita competição em serviços

Pedro Luiz Roccato Pedro Luiz Roccato

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    O dólar cotado no patamar de R$ 1,70 tem causado problemas para empresas brasileiras competirem com outros prestadores de serviços globais, especialmente ao que tange a venda para empresas norte-americanas. Segundo matéria publicada recentemente na Folha de São Paulo, a cotação atual do real eleva em mais de 30% o valor dos serviços oferecidos pelas empresas brasileiras. OS serviços ofertados geralmente têm como principal competidor empresas indianas, que oferecem custos altamente atraentes, principalmente pela reduzida carga tributária. Com a valorização do real a diferença aumentou ainda mais. Dentre os serviços contratados encontramos desde serviços de centrais de atendimento ao desenvolvimento de software. Se considerarmos ainda os custos de benefícios e encargos oriundos de uma CLT arcaica, o distanciamento é proibitivo.


    A diversificação na oferta de serviços para empresas globais possibilita minimizar riscos de dependência excessiva de um único mercado ou região, além de possibilitar o alinhamento em termos de certificações e qualidade de entrega aos padrões globais de serviços. Desta forma a competitividade local também é fortalecida, posicionando as empresas locais em níveis de competitividade internacional de forma igual ou superior. Em um cenário com este, ganham os clientes locais como também os globais, visto que o aprendizado deve ser aproveitado para evolução total da empresa.


    Acredito que sem uma política de incentivo marcante do estado para redução da carga trabalhista e tributária para as empresas de serviços no Brasil, nosso nível de competitividade será visto cada veza mais como um entrave para a exportação de serviços. Além disso, não podemos nos esquecer que a disponibilidade de mão de obra qualificada é um caminho sustentável, mas devemos evoluir para uma oferta de inovação, centrada em competências diferenciadas e não apenas em geradores de código de programação ou atendimento de massa pelo modelo de callcenter. Afinal, somos reconhecidos internacionalmente por nossa elevada criatividade e capacidade de adaptação, podendo esta ser aplicada para nos diferenciarmos dos demais competidores e não só para “iniciativas criativas” sem sustentação ética.
     


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