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Colunistas - Pedro Luiz Roccato - Produtos da Apple fabricados no Brasil?

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Cenários & Tendências

19/05/2010 - 05:05

Produtos da Apple fabricados no Brasil?

Pedro Luiz Roccato Pedro Luiz Roccato

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    Temos acompanhado notícias da Apple sobre seu interesse na produção de produtos no Brasil. Uma das candidatas a manufatura local é a Foxconn que possui uma unidade fabril no interior de São Paulo, na cidade de Jundiaí. A produção poderá ser do MacBook, iPhone e do recém-lançado iPod. No caso específico do iPod o problema não está relacionado a produção local, mas sim uma restrição que há no Brasil com relação ao uso da marca iPod, anteriormente registrada para outra empresa. Enquanto este problema não for solucionado juridicamente, haverá sério risco de termos considerável atraso na disponibilidade do produto no Brasil. O modelo de tributação para os produtos da Apple tem sido uma das maiores dificuldades para alavancagem de vendas dos produtos no Brasil. Com a possibilidade de produção local, ainda mais com PPB (Plano Produtivo Básico), poderemos encontrar produtos com preços mais acessíveis, reduzindo a diferença existente hoje. Veja o caso de um iPhone 3GS, que no Brasil é ofertado por R$ 1.800,00 (aproximadamente US$ 1.000,00) e nos EUA encontramos ofertas à partir de US$ 199,00.
    Historicamente a Apple não possui um legado de resultados relevantes, sendo o Brasil sempre considerado um país difícil de operar, especialmente pelo presidente da companhia. Podemos até entender algumas dificuldades encontradas pela Apple, como o caso de restrições quanto a operação da loja do iTunes ou mesmo da loja de aplicativos devido à necessidade de registros e classificação dos games junto aos órgãos reguladores locais ou mesmo quanto a falta de legislação para a comercialização de músicas pela web, diferentemente do cenário encontrado em outros países. Porém, com todas as dificuldades encontradas localmente, nos últimos anos temos acompanhado um crescimento considerável na presença da marca no Brasil, especialmente pela abertura de lojas através de revendedores nos principais centros comerciais do Brasil, inclusive com inauguração recente de uma loja própria na web. O fornecimento irregular de produtos foi um fantasma que assombrou grande parte dos canais de vendas e distribuição da Apple no país, mas pelo que tenho acompanhado, o número de reclamações tem caído nos últimos anos. A acessibilidade pelos canais e a ausência de um Programa Estruturado de Canais que fomente um desenvolvimento progressivo de seus canais de vendas e distribuição de forma efetiva é um desejo antigo dos canais indiretos.
    Agora nos resta saber qual será o próximo passo de uma das empresas mais admiradas do mundo, mas que ainda não chegou próximo do imenso potencial que temos no Brasil para desenvolvimento de seu atrativo e inovador portfólio. O que nos resta é ficar atentos aos movimentos, especialmente ao que tange a manufatura local, que poderá abrir novos horizontes para sua operação no Brasil.


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