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18/11/2010 - 06:05

Tempo e espaço, 24 horas conectada

Maria José e  Zé Maria José e Zé

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    Smartphones, tablets, notebooks, e-mails, twitter, facebook...os equipamentos e os canais de comunicação se multiplicam e tornam o trabalho mais fácil. Será mesmo? Ou estamos caminhando para o fim da boa e velha produtividade como ela era e vendo a privacidade como ela deveria ser desaparecendo no fim do túnel?

    Essas questões podem soar complexas para uns ou pueris para outros, mas vou tentar explicitar a minha preocupação. O interlocutor do meu mais recente cliente, uma empresa do setor de bebidas, queria saber qual o meu número celular, qual o meu endereço de e-mail, como me achar no twitter etc...ok, tenho que fornecer todas essas informações e confio que ele não irá ultrapassar os limites do tempo e do espaço, mas será que isto não pode abrir brechas para que, em outros casos extremos, as relações internas e externas de trabalho fiquem obtusas, improdutivas e sem a menor privacidade?

    É realmente necessário que as novas relações de trabalho tenham que ser baseadas, independente do perfil do seu “cliente” – externo ou mesmo interno –, no “eu te acho a qualquer momento e em qualquer lugar”? Deixando de lado as emergências de todo o tipo, qual a necessidade para que um problema ou uma questão menor leve a um contato – seja lá qual for o canal – às 23 horas ou ainda em um domingo à tarde? Qual o limite?

    Vou tentar ser mais clara a partir de um exemplo...um amigo meu recebeu uma ligação, seguida de um tweet, em um sábado de um cliente que queria uma resposta para uma questão absolutamente não emergencial. Ele respondeu, porém ao se posicionar sem maiores subsídios levou a uma insatisfação do outro lado da “linha”, causando até mesmo um desgaste desnecessário na relação.

    Pior, ao estar “disponível” para o contato múltiplo e sem limitações não corremos o risco de perder tempo e produtividade? Um outro amigo, meu e do Zé, que é designer, não fornece seu celular, twitter ou facebook para seus clientes por um motivo simples, ele não os têm, ou melhor, faz questão de não tê-los e se posiciona com a seguinte frase: “para quê, para todo mundo me achar quando eu não quero e não posso e tirar o meu tempo”?

    Não quero apontar que ele está certo, muito pelo contrário eu defendo as facilidades contemporâneas de comunicação, mas gostaria de analisar as questões tanto do ponto de vista da produtividade como da privacidade. Afinal, a partir do momento em que você se vê impelido ou acha normal checar o seu twitter no sábado às 23 horas apenas porque alguém pode estar querendo falar com você pode ser um mau sinal...

    Maria José


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